Palavras Pintadas de Sal
Dos meus pés nascem as gretas acariciadas pelo sabor do sal das lágrimas que brotam da terra. Gemem baixinho no constante sulcar dos trilhos desse castelo branco que construo ao ritmo do correr das horas e da baixa das marés da minha alma...
Das minhas mãos cresce o cajado com que me agarro às águas decoradas de palmeiras e de reflexos de nuvens às quais dou o nome de amigas, porque a elas conto os degraus da minha vida sempre plana e sempre igual...
Dos meus lábios jorra a solidão de um hálito acre que seco nos pelos dos braços... e é lá, nos meus braços, que enterro as palavras de amor que um dia li num livro, cheio de desenhos que tive que inventar, e que gostaria de te dizer nas horas em que me deito ao teu lado e me cheiras a sabonete cor-de-rosa... Serias capaz de me ouvir sem me perguntares se o sal me fizera delirar? Serias capaz de acreditar que as arestas do meu coração têm menos sal que a minha vida?...
Dos meus olhos saem sonhos que crescem para além da imensidão quadriculada dos meus dias... sonhos brancos, porque o branco se instalou nas minhas íris, mas maiores que os desejos que me ensinaram a acreditar e maiores ainda que o alcance destes braços que empresto aos quadros que os pintores e os poetas me vêm roubar como se me entendessem e quisessem louvar...
Mas sabes... nunca pintor ou poeta algum conseguiu desenhar o abraço que gostava de te dar. Nem tu alguma vez sonhaste que eu, o teu marnoto, soubesse mais do que lidar com varrer das águas que nos chegam dos lados do mar...
Mas eu juro-te que eu também sei amar!
Cris (Paisagens que não sei pintar)
Texto de uma amiga (Cristina Fidalgo)
Dos meus pés nascem as gretas acariciadas pelo sabor do sal das lágrimas que brotam da terra. Gemem baixinho no constante sulcar dos trilhos desse castelo branco que construo ao ritmo do correr das horas e da baixa das marés da minha alma...
Das minhas mãos cresce o cajado com que me agarro às águas decoradas de palmeiras e de reflexos de nuvens às quais dou o nome de amigas, porque a elas conto os degraus da minha vida sempre plana e sempre igual...
Dos meus lábios jorra a solidão de um hálito acre que seco nos pelos dos braços... e é lá, nos meus braços, que enterro as palavras de amor que um dia li num livro, cheio de desenhos que tive que inventar, e que gostaria de te dizer nas horas em que me deito ao teu lado e me cheiras a sabonete cor-de-rosa... Serias capaz de me ouvir sem me perguntares se o sal me fizera delirar? Serias capaz de acreditar que as arestas do meu coração têm menos sal que a minha vida?...
Dos meus olhos saem sonhos que crescem para além da imensidão quadriculada dos meus dias... sonhos brancos, porque o branco se instalou nas minhas íris, mas maiores que os desejos que me ensinaram a acreditar e maiores ainda que o alcance destes braços que empresto aos quadros que os pintores e os poetas me vêm roubar como se me entendessem e quisessem louvar...
Mas sabes... nunca pintor ou poeta algum conseguiu desenhar o abraço que gostava de te dar. Nem tu alguma vez sonhaste que eu, o teu marnoto, soubesse mais do que lidar com varrer das águas que nos chegam dos lados do mar...
Mas eu juro-te que eu também sei amar!
Cris (Paisagens que não sei pintar)
Texto de uma amiga (Cristina Fidalgo)
